Sinopse

A exposição iconográfica, a decorrer em simultâneo com a apresentação do bailado Giselle na versão de Jorge Garcia, pela Companhia Nacional de Bailado (CNB), no mês em que se completam 45 anos sobre a sua fundação, tem por objectivo dar a conhecer o percurso artístico daquele que é considerado, por muitos, o maior professor de dança clássica que trabalhou em Portugal no século XX.

O seu nome, inicialmente associado ao Ballet Gulbenkian, ficou também conhecido no nosso país pelo trabalho que, durante quase duas décadas, desenvolveu na Escola Artística de Dança do Conservatório Nacional e, em simultâneo, na CNB.

Deve acrescentar-se que o legado artístico e pedagógico do Maestro é muito expressivo não só em Portugal como em países como a França, a Bélgica, a Itália, o Brasil, o Canadá e os Estados Unidos da América, entre outros. E a sua obra coreográfica mais conhecida, Majísimo, foi dançada pelo mundo fora, enquanto as suas versões dos clássicos (nomeadamente de Giselle) foram reconhecidas, sobretudo, pelo seu rigor estilístico.

Todos os que foram alunos de Jorge Garcia, num conservatório ou numa companhia profissional, sabem que era um mestre meticuloso, exigente, com um sentido musical raro e um humor, por vezes, acutilante.

As suas aulas eram inspiradoras e orgânicas e o seu sentido de pedagogia e de justiça eram inquestionáveis. Como qualquer grande professor de dança, a sua atenção para com os discípulos era directamente proporcional ao esforço por eles demonstrado.

Os que o conheciam melhor sabem que era um incansável estudioso (provam-no os seus muitos cadernos com preciosas anotações de aulas) e um indivíduo de elevada cultura. A sua biblioteca pessoal era prova bastante desse facto, para além das dedicatórias que recebeu em livros de artistas de alto gabarito. Jorge Garcia era um melómano, no mais estrito sentido do termo, e um verdadeiro amante de ópera. Na sua colecção de discos de vinil, cassetes de audio, video-cassetes, cd’s e dvd’s, contavam-se tantas gravações de bailados como de peças operáticas. Que ouvia amiúde.

Talvez por ter nascido num país em que os direitos autorais eram sistematicamente atropelados, no que concerne aos seus contratos de trabalho era um negociador implacável e calculista.

Indivíduo muito reservado – até para os amigos mais próximos – algo solitário e sonhador, vivia o dia-a-dia de um modo quase ascético. Mas, acima de tudo, Maestro Garcia era uma personalidade única no grande mundo da Dança.

A presente mostra, que deverá seguir para a Universidade de Miami (The Cuban Heritage Collection), no estado da Florida – USA, no ano de 2024, revela algumas facetas desconhecidas do seu trabalho e um lado menos público da vida de Jorge Garcia.

António Laginha


*Mestre Garcia (Jorge Fausto García García) a partir de 2001 passou a utilizar, como segundo nome artístico, o que aparece no seu passaporte francês: Georges Garcia.

Ficha Técnica

António LaginhaConceção e direção
Companhia Nacional de Bailado e Teatro Nacional de São CarlosProdução técnica
Carlos Acosta, Marta Athayde, Mercedes Cabanach, Guilherme Dias, Anna-Maria Holmes, Tatiana Leskova, Paola Cantalupo, Peter Lewton-Brain, Jean- Christophe Maillot, Carlos Prado, Roger Salas, Isabel Seabra, Betty Koltis, Fernando Carvalho, Ana Vian, Darling Quadros, Isabel Gonçalves Conceição, Ana RôxoAgradecimentos